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Estratégia Gerencial para Melhoria de Processos

Marcelo Toledo • 27/11/2019 • 6 anos atrás

A globalização da economia mundial tem se consolidado como um fator determinante para a busca constante por aumento de produtividade e redução de custos. Em mercados cada vez mais abertos, a concorrência — em especial a de países emergentes — impõe às organizações a necessidade de tornar seus processos produtivos e administrativos mais eficientes, como condição para assegurar sua sobrevivência e crescimento no mercado (Liker e Meier, 2007).

Nesse contexto, a utilização eficiente dos recursos de produção auxilia a empresa a se manter competitiva no mercado em que atua, contribuindo diretamente para a redução dos custos de fabricação e para o fortalecimento de sua posição competitiva (Liker e Meier, 2007).

Mesmo operações consideradas bem gerenciadas apresentam oportunidades de melhoria. A busca sistemática por desempenho superior deve, portanto, fazer parte da lógica gerencial das organizações orientadas à excelência operacional.

Importância da Estratégia Gerencial na Melhoria de Processos

A melhoria de processos não deve ser tratada como um conjunto isolado de iniciativas pontuais, mas como um elemento central da estratégia organizacional. No contexto do Sistema Toyota de Produção (TPS), a melhoria contínua é entendida como uma prática cotidiana, orientada à eliminação de desperdícios, à criação de fluxo e ao uso disciplinado de padrões operacionais como base para o aprendizado organizacional (Liker e Meier, 2007).

O pensamento Lean, derivado da sistematização e disseminação dos princípios do TPS, amplia essa lógica ao enfatizar a criação de valor ao cliente, a redução do lead time e a gestão do fluxo de ponta a ponta. No entanto, para que essas melhorias sejam sustentáveis e escaláveis, torna-se necessária uma abordagem gerencial estruturada, capaz de alinhar esforços de melhoria aos objetivos estratégicos do negócio.

Prioridades de Melhoria em Processos Organizacionais

A definição das prioridades de melhoria é uma decisão estratégica. De acordo com Slack, Chambers e Johnston (2009), existem duas influências fundamentais que orientam essa escolha:

  • as necessidades e preferências dos consumidores;

  • o desempenho e as práticas adotadas pelos concorrentes.

Como o propósito central das operações é criar produtos e serviços que atendam às expectativas do mercado, as empresas devem direcionar seus esforços de melhoria para aquilo que efetivamente gera valor ao cliente. Se os consumidores valorizam mais a durabilidade do produto do que a rapidez na entrega, por exemplo, essa característica deve receber maior atenção nas iniciativas de melhoria.

Ao mesmo tempo, o desempenho dos concorrentes estabelece referências externas de comparação, servindo como parâmetro para avaliar a competitividade da empresa. Dessa forma, as necessidades dos consumidores e o posicionamento competitivo devem ser analisados de forma integrada antes da priorização de qualquer esforço de melhoria.

Abordagens Estratégicas para a Melhoria de Processos

Após definir suas prioridades, a organização precisa escolher a abordagem de melhoria mais adequada. De forma geral, duas estratégias são amplamente reconhecidas na literatura de gestão de operações (Slack, Chambers e Johnston, 2009):

  • melhoria baseada em inovação;

  • melhoria contínua.

A abordagem baseada em inovação envolve mudanças significativas na forma como a empresa opera, como a introdução de novas tecnologias, grandes automações ou a aquisição de equipamentos de alto impacto. Embora essas iniciativas possam gerar ganhos expressivos de desempenho, geralmente demandam elevados investimentos e apresentam maior risco.

Por outro lado, a melhoria contínua baseia-se na implementação sistemática de pequenos incrementos ao longo do tempo, buscando ganhos sustentáveis por meio da eliminação de desperdícios, da estabilização dos processos e do aperfeiçoamento progressivo das práticas operacionais.

É nesse contexto que se insere o Lean Seis Sigma, como uma abordagem que integra princípios Lean — oriundos do TPS — com o rigor analítico e estatístico do Seis Sigma.

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Por que Lean Seis Sigma é uma Estratégia Gerencial Eficaz

O conceito de melhoria contínua implica um processo permanente de questionamento e aprendizado organizacional, no qual a forma como o trabalho é realizado é revisitada de maneira sistemática em busca de melhor desempenho operacional (Slack, Chambers e Johnston, 2009).

No entanto, para que a melhoria contínua se traduza em resultados consistentes e sustentáveis, as organizações precisam ir além de iniciativas isoladas ou esforços pontuais. Nesse sentido, o Seis Sigma consolidou-se como uma estratégia gerencial estruturada, orientada à solução de problemas por meio do uso disciplinado de dados, métodos analíticos e métricas financeiras (Rotondaro, 2002).

A evolução natural dessa abordagem levou à integração entre os princípios Lean — focados em fluxo, desperdício e valor — e o Seis Sigma — voltado à redução da variabilidade e à melhoria da capabilidade dos processos. O Lean Seis Sigma emerge, assim, como uma estratégia gerencial abrangente, capaz de alinhar melhoria contínua, tomada de decisão baseada em dados e objetivos estratégicos do negócio (Werkema, 2012).

O que as Empresas de Sucesso Entenderam sobre Melhoria de Processos

As empresas de referência em excelência operacional compreenderam que a redução do lead time e a criação de fluxos de valor contínuos são fundamentais para a geração de valor ao cliente. A eliminação de interrupções, estoques excessivos e retrabalhos permite que o fluxo siga de forma mais suave e previsível até o consumidor final (Liker e Meier, 2007).

Além disso, essas organizações atuam de maneira sistemática na redução e no controle da variabilidade dos processos, reconhecendo que a variabilidade é uma das principais fontes de falhas, retrabalhos, desperdícios e custos ocultos. Esse enfoque analítico sobre a variabilidade constitui um dos principais diferenciais do Lean Seis Sigma em relação a outras abordagens de melhoria contínua (Rotondaro, 2002; Brue e Howes, 2006).

Embora muitas das ferramentas estatísticas utilizadas não sejam novas, o diferencial do Lean Seis Sigma está na forma estruturada, disciplinada e orientada a resultados com que essas ferramentas são aplicadas, transformando dados em decisões gerenciais consistentes (Werkema, 2012).

Métricas Financeiras e Estratégia de Melhoria de Processos

Quando adotado como estratégia de negócio, o Lean Seis Sigma orienta a seleção e a condução dos projetos de melhoria a partir de métricas financeiras alinhadas ao planejamento estratégico da organização (Rotondaro, 2002).

Fonte da imagem: Myriam Zilles, Pixabay.

Essa integração assegura que os esforços de melhoria estejam diretamente conectados aos objetivos corporativos, evitando iniciativas desconectadas do desempenho econômico da empresa. Como resultado, a organização obtém ganhos financeiros e melhorias sustentáveis de qualidade; os clientes recebem produtos e serviços mais confiáveis; e os colaboradores ampliam suas competências, empregabilidade e senso de pertencimento por meio do aprendizado estruturado da metodologia (Brue e Howes, 2006).

Esses fatores consolidam o Lean Seis Sigma como uma estratégia gerencial robusta e sustentável para a melhoria de processos, especialmente em ambientes organizacionais complexos, competitivos e orientados a resultados.

Desenvolvimento de Competências como Sustentação da Estratégia

A consolidação do Lean Seis Sigma como estratégia gerencial não depende apenas da adoção de métodos e ferramentas, mas, fundamentalmente, do desenvolvimento sistemático de competências nas pessoas que conduzem e participam dos processos. A experiência prática das organizações que avançaram de forma consistente em excelência operacional demonstra que os resultados mais sustentáveis surgem quando a melhoria contínua é incorporada como uma capacidade organizacional, e não como um conjunto de iniciativas isoladas.

Nesse contexto, programas estruturados de formação em Lean, Seis Sigma e Lean Seis Sigma desempenham papel essencial ao criar uma linguagem comum, um modelo mental compartilhado e uma base analítica sólida para a tomada de decisão baseada em dados. Mais do que capacitar indivíduos no uso de ferramentas, esses programas contribuem para formar profissionais capazes de compreender problemas de forma sistêmica, alinhar melhorias às prioridades estratégicas do negócio e sustentar ganhos ao longo do tempo.

Assim, a estratégia gerencial para a melhoria de processos se fortalece quando o investimento em métodos é acompanhado pelo investimento deliberado na formação de líderes e equipes. É essa combinação — estratégia clara, método estruturado e desenvolvimento de pessoas — que permite às organizações transformar melhoria contínua em vantagem competitiva duradoura.

Referências

LIKER, J. K.; MEIER, D. The Toyota Way Fieldbook: A practical guide for implementing Toyota’s 4Ps. New York: McGraw-Hill, 2007.

SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

ROTONDARO, R. G. Visão Geral. In: ROTONDARO, R. G. (Org.). Seis Sigma: estratégia gerencial para a melhoria dos processos, produtos e serviços. São Paulo: Atlas, 2002.

WERKEMA, C. Criando a cultura Lean Seis Sigma. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

BRUE, G.; HOWES, R. Six Sigma: The McGraw-Hill 36-Hour Course. New York: McGraw-Hill, 2006.



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